Dias felizes, noites nem tanto
É difícil, mas às vezes dá para esconder. Disfarçar o tom de voz, camuflar a linguagem corporal. Dá para mentir com os olhos. A tristeza de um coração pode ficar guardada, secreta. Mas então, o coração passa a só chorar sozinho, sufocado por ele mesmo, uma solidão imposta. Fica mais ou menos assim: quando o sol trás o dia, tão feliz e agitado, onde os sorrisos são soltos, os cenários são coloridos, as pessoas são calorosas... tudo fica bem. Não há motivos para reclamar e, na verdade, não há nem motivos para tentar esconder alguma tristeza perdida no fundo. Os dias são felizes. Mas, invariavelmente, a noite chega. Chega e traz de volta a solidão. O mundo não te acompanha para casa... os sorrisos que se soltaram sobre você agora vão para os donos verdadeiros, os cenários desbotam depois que o sol se vai, o calor passa a ser trocado apenas entre amantes reais. Dias felizes, noites nem tanto. A tristeza recai sobre os ombros assim que a cabeça repousa sobre o travesseiro. A solidão dói. O corpo descansa, se preparando para mais um dia de felicidade instantânea, rasa e irreal. Mas a mente voa longe sem ir a lugar algum. Os sonhos perdem a graça quando ainda são sonhos depois desse tempo todo.

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